20/08/2010

Rita Lee volta a ser Rita Lee no Twitter

Para quem achava que Rita Lee havia perdido o pique, a rebeldia e o humor que fizeram dela a rainha do rock brasileiro, sua conta recém-aberta no Twitter mostra que ela está mais serelepe do que nunca. Seguida por quase 70 mil fãs, a cantora tem contado histórias picantes e divertidas, “umas besteiras” segundo ela, além de falar de forma debochada sobre o seu cotidiano.

Na manhã desta sexta-feira, Rita Lee escreveu dois comentários sobre um encontro que teve com o cantor Nelson Gonçalves (1919-1998). Disse ela: “Certa vez estava eu hospedada no mesmo hotel de Nelson Gonçalves. O telefone toca e uma voz poderosa diz: ‘ô ritinha, estiquei umas lagarta di fudê as cartilage, tá afim?’ the bad boy forever young, unforgetable!!!”.

Poucos minutos depois, Rita apagou a primeira parte, em que menciona o nome do cantor, mas deixou a segunda, que faz referência à oferta que ouviu de partilhar cocaína com ele. O conteúdo apagado, no entanto, já havia sido replicado por dezenas de leitores e se espalhou pelo Twitter. Como se sabe, Nelson Gonçalves teve sérios problemas de dependência e chegou a ser preso por porte de drogas.

Antes deste caso, Rita divertiu seus leitores com a história de Zulmira Marcondes de Lins e Vasconcelos, uma “mulher sofá”, muito rica, rejeitada pelo marido, que um dia se encanta pelo jardineiro da casa: “Valmim, meu pai era Valter e minha mãe Jasmim”. Narrada ao longo de dois dias em textinhos de 140 caracteres, a novela delirante termina com uma impressionante revelação:

Valmim “anuncia serenamente ‘sou 1 anjo do senhor, vim desapegá-la do mundo material’. e assim foi q Zulmira, der tsofaten frau, deixou-se levar pelo anjo tesudo abandonando de vez seus trocentos vestidos bregas, jóias, ferraris e o marido banqueiro que naõ encontrou nenhum bilhete.The end”

Imperdível. O perfil de Rita no Twitter é @LitaRee_real.

Foto: Mila Maluhy/Divulgação

Por Mauricio Stycer às 12h41
19/08/2010

Jô manda Ronaldo para um spa. O que vão pensar os patrocinadores?

Há uma semana, depois que sua barriga virou assunto nacional, Ronaldo reclamou no Twitter das “chacotas” que estava ouvindo e prometeu, como já fez um sem número de vezes na carreira, dar novamente uma “volta por cima”. Na terça-feira à noite, deu uma entrevista ao repórter Mauro Naves, da Globo, ao longo da qual falou:

A gente não pode iludir o torcedor. Tenho que perder um pouco de peso. A briga é com a balança, com as dores que tenho. Preciso emagrecer um pouquinho e voltar com tudo. Não vou num evento à noite sendo que eu tenho treino de manhã. Está chegando cada vez mais perto o fim da minha carreira. Mas vou fazer um ultimo sacrifício para terminar o ano bem.

Na mesma noite, foi à festa realizada por Galvão Bueno para o lançamento de uma linha de vinhos promovida pelo narrador. Lá encontrou-se com Jô Soares, que o saudou com as seguintes palavras, registradas pela coluna de Mônica Bergamo, na “Folha”:

De gordo para gordo, Ronaldo, se interna num spa. Senão você não consegue (emagrecer). É um inferno. Quem te fala é uma pessoa que já pesou 160 kg e que hoje pesa uns 90 kg. E você não está gordo. Está engordando.

O drama pessoal de Ronaldo ganhou dimensões públicas por razões óbvias. Num momento em que deveria estar recolhido, o craque é obrigado a se expor por força dos inúmeros negócios que representa, para si e para o Corinthians. Se atendesse a sugestão do Jô e se recolhesse a um spa, o que diriam os seus patrocinadores?

Um resumo da noitada de Ronaldo, Galvão e Mano Menezes pode ser lido aqui.

Foto: Fancisco Cepeda/AgNews

Por Mauricio Stycer às 11h06
18/08/2010

Participação dos internautas tira debate do controle dos marqueteiros

Muita gente reclamou do formato um pouco engessado, por exigência dos próprios candidatos, dos dois debates promovidos pela “Folha” e pelo UOL com os principais candidatos ao governo de São Paulo e à Presidência. Nos primeiros três blocos eles respondiam a perguntas formuladas por seus adversários e tinham um tempo muito preciso para responder, replicar e treplicar. No quarto e quinto, as perguntas foram feitas por internautas. E no último, por jornalistas dos dois veículos.

Assisti aos dois debates na coxia do Tuca, teatro da PUC-SP, bem próximo dos principais assessores dos candidatos. Os blocos dedicados à intervenção dos internautas foram os que provocaram as principais reações dos responsáveis pelo marketing dos políticos.

Foi o único momento em que o debate fugiu ao controle dos guardiões da imagem dos candidatos. Uma pergunta difícil a Dilma provocou sorrisos dos assessores de Serra, mas a boa resposta da candidata levou um assessor seu a bater palmas. Uma pergunta considerada fácil a Serra levou o marqueteiro de Dilma, João Santana, a soltar um palavrão.   

Sem a proteção do anonimato, onde se escondem os mais agressivos e eventualmente covardes, os internautas que fizeram perguntas mostraram uma real possibilidade de interação no jogo político. Foram apenas doze perguntas por debate, mas que deixaram aberta uma porta importante.

Foto: Thiago Bernardes/UOL

Publicado originalmente aqui, no UOL Eleições 2010, em 18 de agosto.

Atualizado em 20 de agosto, às 11h: A descoberta de que uma das perguntas no debate presidencial foi formulada por um assessor do PSDB (justamente o que ilustra este post) gerou alguma polêmica e foi respondida pelo UOL neste texto aqui.

Por Mauricio Stycer às 19h26
17/08/2010

Piada eleitoral gratuita – Dia 1

Em São Paulo, foi farta a alegria proporcionada por candidatos a deputado federal no primeiro dia de propaganda eleitoral. Da esculhambação intencional do palhaço Tiririca à graça espontânea de tantos outros, o programa reafirma a sua vocação de, muito antes de ser útil para o esclarecimento do eleitor, servir para diverti-lo.

Tiririca perguntou e respondeu: “O que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto” De biquíni, uma candidata se apresentou como “Mulher-Pêra”. Agnaldo Timóteo falou de sua amizade de mais de 40 anos com Clodovil, morto em 2009, para pedir votos dos seus eleitores. Mara Maravilha pediu voto para o marido, “servo em Deus”.

Raul Gil pediu votos para o Júnior e, para alivio geral, avisou: “Pro meu filho eu tiro o chapéu!” Um candidato enfrentou a língua presa bravamente e outros não falaram nada, além do nome. O maior nome de todos, disparado, é o de Amirah Saba da Metropolitana FM. Só faltou informar que tipo de música toca na rádio. João Dado lembrou que já foi abordado duas vezes pelo “CQC”. E Sergio Kobra lançou o melhor slogan do dia: “Sou careca, mas não sou louco!” Vamos ver...

Em tempo: O UOL Eleições 2010 publicou um texto meu sobre o primeiro programa de Dilma, Serra e Marina, intitulado Marqueteiros dão show na arte de remodelar candidatos.

Por Mauricio Stycer às 21h11

O que este cavaleiro com armadura está fazendo na Bienal do Livro?

A Bienal do Livro, em São Paulo ou no Rio, é sempre uma festa. Culpa das crianças – talvez o mais importante, do ponto de vista dos negócios, público-alvo de editores, distribuidores e livreiros. Para atraí-las, os estandes se esmeram.

Este ano, no Anhembi, tem palhaço, teatro de marionetes, carro de corrida, bonecos gigantes, autógrafos com estrelas de primeira grandeza, como Mauricio de Sousa e Ziraldo, além de exposição sobre Monteiro Lobato. O Sebo do Messias está vendendo gibi a 50 centavos. Várias editoras oferecem livros a R$ 1, R$ 3 e R$ 5 – curiosamente, não vi nenhuma oferta de livro a R$ 2 ou R$ 4.

Crianças lotam o espaço de exposições. No domingo, cheguei às 14h e desisti de entrar depois de enfrentar uma fila de 15 minutos apenas para ultrapassar o estacionamento. Na segunda-feira, ônibus escolares despejaram milhares de crianças, que corriam de um lado para o outro do Anhembi. Maior diversão.

No meio da confusão, dei de cara com um sujeito vestindo uma armadura. Imediatamente pensei se tratar da promoção de alguma editora vendendo livros sobre o rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. “Esse é bem original”, falei, enquanto fazia uma foto. Só depois me dei conta que o sujeito estava fazendo promoção de uma empresa que aluga seus salões “medievais” para casamentos, formaturas e eventos de empresas. Na Bienal do Livro? Estranho...

Por Mauricio Stycer às 18h50
16/08/2010

A realidade paralela de Galvão Bueno

Fato raro, Galvão Bueno apareceu em duas longas entrevistas à imprensa neste fim-de-semana. Ouviu a mesma pergunta em ambas: “A Rede Globo manda na seleção brasileira e na CBF?” Na “Veja”, ao editor Fabio Portela, disse: “A Globo nunca mandou em nada”. Na “Folha”, à colunista Mônica Bergamo, falou: “Eu acho até que devia mandar mais. Porque ela paga as contas”.

Sobre Dunga, as respostas de Galvão são ainda mais surpreendentes. A decisão do técnico da seleção brasileira na África do Sul de vetar entrevistas exclusivas a todos os veículos de comunicação foi entendida pelo narrador como “revanchismo” contra a Globo.

À “Folha”, Galvão diz que a decisão do técnico não afetou o ânimo da emissora. “Não quer falar? Não fala. Punido foi o pobre do torcedor brasileiro”. À “Veja”, o narrador reconhece indiretamente que a Globo vetou entrevistas com o técnico depois que ele foi demitido: “Terminado o jogo do Brasil (contra a Holanda), o Dunga virou as costas e se enfiou no vestiário. O meu interesse em entrevistá-lo acabou aí. Ponto”.

É surpreendente que o funcionário com maior salário da Globo – R$ 1 milhão mensais, segundo afirma “Veja” e sugere a “Folha” – desconheça os esforços da sua emissora para entrevistar Dunga e os jogadores da seleção nos 45 dias que permaneceram na África do Sul. Soa a despeito. Assim como os comentários que fez no programa “Central da Copa” logo depois do amistoso entre Brasil e Estados Unidos, há uma semana: “Não dá saudades do Dunga nem da vuvuzela”.

Para dar uma ideia do seu poder, Galvão conta a Mônica Bergamo: “Você já viu alguém dizer não para entrevistar o Lula? Eu disse. A assessoria dele me procurou para fazer um ‘Bem, Amigos’. Quando eu vi, ele ia dar entrevistas para todas as televisões. Eu falei: ‘Obrigado, não quero’.” Isso é prestígio, explica à “Veja”: “Inventaram agora que a Globo teria privilégios para cobrir a seleção. Isso não existe. Agora, se eu, Galvão Bueno, tenho prestígio suficiente para levar um técnico da seleção ao meu programa, o ‘Bem, Amigos’, melhor para mim e para a Globo”.

Na realidade paralela em que vive, Galvão explica nas duas entrevistas que resolveu morar no principado de Mônaco, um paraíso fiscal, para realizar “um sonho”. “É uma coisa de realização, de você fazer aquilo que projetou há 25 anos”, disse à “Folha”. Tinha sete empregados quando morava no Brasil, agora só tem um: “Dois eram seguranças. Um era motorista, O outro era jardineiro. Lá não tem nada disso. A Desiree põe a mesa do jantar, os meninos tiram”.

Foto: Folhapress

Por Mauricio Stycer às 10h44
15/08/2010

Não há o que entender ou deixar de entender em “A Origem”. É só diversao

Mais recente arrasa-quarteirão hollywoodiano, “A Origem” apresenta uma embalagem pretensiosa, sugere tratar de assuntos sérios, exibe um roteiro intrincado e dá um show de efeitos visuais. Como outras produções semelhantes, não deve – e não pode – ser levada a sério. É apenas diversão da melhor qualidade.

Para quem ainda não viu, o filme conta a história de Don Cobb (Leonardo DiCaprio), especialista em entrar na mente das pessoas para roubar segredos delas. A missão que vamos acompanhar na tela é mais complexa: em vez de extrair, ele deve inserir uma ideia na mente de um empresário.

Com o uso de drogas e tecnologia, Cobb penetra nos sonhos dos seus alvos e, lá dentro, as convence a revelar planos de negócios, senhas de cofres etc. Em algumas situações, precisa criar um sonho dentro do sonho, tornando ainda mais complexa a operação. No intuito de dar aparência de seriedade à trama, o filme discute conceitos caros à psicanálise, como a ideia de inconsciente, mas o faz de forma superficial, o que não poderia ser diferente num filme com orçamento de US$ 160 milhões, destinado a milhões de espectadores.

Reproduzo duas frases da crítica de A. O. Scott, no “New York Times”, que resumem bem, a meu ver, o que é o filme: “Assim, 'A Origem' não é necessariamente o tipo de experiência que você vai levar para a sua próxima sessão psicanalítica. É mais um divertido devaneio do que um pesadelo primal, algo para divertir e não para ser analisado, algo que você vai esquecer tão logo acabe”.

Em tempo: Ficha técnica, fotos, trailer e uma outra crítica de "A Origem" podem ser encontrados no UOL Cinema.

Por Mauricio Stycer às 12h40

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 23 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha de S. Paulo" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor de “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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