22/05/2010

Botafogo precisou de nove rodadas para fazer sete pontos em 2009

Ao final da nona rodada do Brasileirão 2009, o Botafogo empatou com o Atlético-MG em casa e, com sete pontos, deixou a lanterna do campeonato para o Avaí, que tinha o mesmo número de pontos, mas um saldo de gols ainda pior. A campanha dos dois times era então igualmente lamentável: quatro empates, quatro derrotas e uma vitória.

Em 2010, o campeão estadual chega aos mesmos sete pontos na terceira rodada do Brasileiro. Com duas vitórias e um empate, o Botafogo foi dormir na liderança provisória do torneio. É um avanço considerável, que dá esperança ao torcedor. Mas, fiel ao seu estigma, o time protagonizou um papelão: conseguiu perder dois jogadores, Caio e Herrera, expulsos por brigarem em campo aos 39 minutos do segundo tempo, quando o placar anotava Botafogo 3 x 0 Goiás.

Expulsão de jogador do mesmo time não é algo inédito, mas gostaria de saber se algum time registra feito semelhante ganhando uma partida com tamanha facilidade. Com perdão do clichê, tem coisas que só...

Por Mauricio Stycer às 19h39
21/05/2010

Limite para imprensa junto à seleção deixa clima tenso em Curitiba

Seleção brasileira é coisa muito séria. Em tempo de Copa do Mundo, então, torna-se um assunto de segurança nacional. Uma boa medida da sua importância é dada pelo tamanho da comitiva de jornalistas que a acompanha. Na África do Sul, serão cerca de 900 profissionais, entre repórteres, fotógrafos, cinegrafistas, editores e técnicos, atuando em todas as mídias – internet, imprensa, rádio e televisão – incluindo os colegas estrangeiros que também seguem o Brasil no evento.

Um único jornal pediu 14 credenciais para acompanhar as entrevistas que o staff da seleção dará agora em Curitiba, nesta fase de preparação para a Copa. O espaço montado para a imprensa dentro do CT do Atlético-PR comporta 350 jornalistas.

Em poucas instituições, o assessor de imprensa exerce um papel tão ativo e público quanto na seleção. Quando Rodrigo Paiva aparece, ele é cercado por centenas de jornalistas e grava entrevistas para emissoras de tevê e de rádio – como só vi acontecer com o porta-voz da Presidência e do Vaticano.

No momento, o clima é tenso entre os jornalistas que acompanham a seleção. Dunga tem dado seguidos sinais de que considera excessivo – e negativo – o assédio deste circo da mídia sobre a seleção. O acesso da imprensa ao CT nesta sexta-feira, primeiro dia da preparação, foi caótico. Houve uma tentativa inicial de limitar a dois o número de profissionais de cada empresa com direito de assistir a entrevista programada para o início da tarde.

A medida foi revogada, mas a dificuldade de conseguir a credencial para entrar numa área reservada dentro do CT causou muito incômodo, ainda mais porque estava chovendo e não havia cobertura. A entrevista, programada para às 13h, só começou âs 15h.

O batalhão começou a chegar às 10h e aguardou por cinco horas para descobrir que apenas o médico, José Luis Runco, e o preparador físico, Paulo Paixão, responderiam às perguntas. O encontro durou 20 minutos e o resultado pode ser lido aqui.

A previsão é que ao longo dos cinco dias em Curitiba a rotina se repita. Uma curta entrevista diária, com dois ou três representantes da seleção. E alguma abertura, eventual, para fotógrafos e cinegrafistas captarem imagens dos treinamentos. E nada mais.

Tudo indica que na África do Sul nada se altere. O que permite prever que esta será uma Copa de muita animosidade entre o técnico e a imprensa. 

Por Mauricio Stycer às 18h46
20/05/2010

Ugo Giorgetti questiona critérios de seleção de projetos de Paulínia

Enquanto dá início à produção de seu mais novo projeto, “Corda Bamba”, ambientado em São Paulo, em 1971, Ugo Giorgetti apresenta ao público o filme-monólogo “Solo”, com Antonio Abujamra. Entrevistei o cineasta para o UOL a respeito dos dois filmes e da situação do cinema brasileira. Desmotivado com as dificuldades para obter recursos, Giorgetti criticou explicitamente os critérios do pólo cinematográfico de Paulínia, que tem dado apoio a inúmeras produções.  Ele disse:

Fui no “pitching” (uma audição para seleção de projetos) em Paulínia. O cara que ia julgar os projetos logo falou: “Eu queria dizer que nós não entramos no mérito dos roteiros”. Eu falei: “Desculpe te interromper, mas você não entra no mérito dos roteiros?” Ele: “Não. O nosso critério é o quanto o filme vai ser rodado em Paulínia, quanto dinheiro vai ficar aqui, quantos empregos ele vai gerar”. Eu falei: “Perfeitamente. Mas quando tudo isso tiver passado, alguém vai ver os filmes de Paulínia e, então, o roteiro vai ser levado em consideração. Todos esses caras para quem você está dando emprego estarão mortos, e também não são muitos, e você fez uma bosta. Para o patrimônio cultural de Paulínia não vai sobrar nada”. E ficou por isso mesmo.

A íntegra da entrevista, publicada com o título "Fazer cinema no Brasil está me deixando um cara pior", diz Ugo Giorgetti, pode ser lida no UOL Cinema.

Por Mauricio Stycer às 10h59

O fim da privacidade

Pego um táxi na rua, em São Paulo, e sento ao lado do motorista, como sempre faço. Digo o endereço, dou as instruções sobre o caminho da minha preferência e me calo. Ele não puxa nenhum assunto, eu fico na minha, e assim vamos indo, em direção à avenida Faria Lima, até que toca o telefone. O taxista atende e eu ouço:

- Mal...
- (...)
- Aquela vagabunda. Me afrontando cada vez mais...
- (...)
- Dormiu com um cara lá.
- (...)
- Acordou lá.
- (...)
- Não vi chegando.
- (...)
- Acho que é outro.
- (...)
- Tô na avenida Europa. Com passageiro.
- (...)
- Tá. Depois te ligo.

Prosseguimos em silêncio até o meu destino. Pago, recebo o troco e, em vez de dizer, como sempre faço, “bom trabalho”, falo: “boa sorte”. Ele apenas acena com a cabeça em sinal de agradecimento. Desço do táxi, anoto as frases que ouvi e penso que aquele taxista estava se sentindo numa espécie de Big Brother, isolado do mundo, mas observado por uma câmera invisível – no caso, eu. 

Por Mauricio Stycer às 05h59
19/05/2010

Maratona com Marcos Mion, Emilio Surita e Marcelo Tas

Missão: assistir na sequência “Legendários”, “Pânico” e “CQC”. Eles são hoje, neste formato híbrido, que mistura humor e jornalismo, os principais – e mais barulhentos – programas da tevê brasileira. Foi tão cansativo quanto uma maratona, especialmente porque achei os programas muito semelhantes em vários aspectos, apesar das suas especificidades. O relato da minha experiência está publicado no UOL Televisão, com o título “Legendários”, “Pânico” e “CQC” repetem assuntos, personagens, piadas e grosserias.

Por Mauricio Stycer às 13h02

“Ribeirão do Tempo” deixa de mostrar um terço do que a sinopse prometeu

Na estreia de “Ribeirão do Tempo”, a sua nova e cara novela, a Record conseguiu chamar mais atenção para a bizarra estratégia de lançamento do que para o primeiro capítulo em si.

“Ribeirão do Tempo” estreou três semanas antes do final da novela que deveria substituir, a bem-sucedida “Bela, a Feia”. Como fazer esta mágica? Alterando o início da novela que está no ar há mais de nove meses  e programando a nova para o seu horário.

Como o segundo capítulo de “Passione”, na Globo, estendeu-se até as 22h18, “Ribeirão do Tempo” começou apenas as 22h20. O espectador desavisado de “Bela, a Feia” não deve ter entendido nada. Em sua homenagem, a cada três minutos um aviso aparecia na tela da nova novela: “Daqui a pouco Bela, a Feia”.

A emissora provavelmente imaginou que iria alavancar a audiência da estreante colocando-a no horário programado para a novela já consagrada. Mas algo não deve ter dado certo na estratégia, pois as 23h05, depois de 45 minutos sem intervalo comercial, enquanto o personagem de Taumaturgo Ferreira se afogava no rio, apareceram os créditos de abertura de “Ribeirão do Tempo” e a novela abruptamente saiu do ar, dando inicio a “Bela, a Feia”.

Lendo a sinopse detalhada colocada em seu site oficial, ainda havia muita coisa programada para o capitulo inicial de “Ribeirão do Tempo” – inclusive o salvamento de Querêncio, o personagem de Taumaturgo. Das cenas descritas no texto, cerca de um terço não foi ao ar.

O autor, Marcilio Moraes, informou já ter 30 capítulos escritos. Segundo Hiran Silveira, diretor do núcleo de dramaturgia da Record, 20 capítulos já foram gravados e dez estavam totalmente prontos no dia da estreia. As sinopses detalhadas dos nove primeiros estão disponíveis no site da novela.

Na segunda-feira, véspera da estreia, na festa de lançamento de “Ribeirão do Tempo”, no Rio de Janeiro, Silveira mostrou como a emissora se vê diante da Globo nesta guerra pela audiência: "O império contra-ataca! Vamos lá, gente, porrada neles! Com um investimento tão grande, acabou essa coisa de brigar pelo segundo lugar. Nossos números são grandiosos e se Deus quiser, e Ele quer, tenho certeza, essa novela vai ser um sucesso. Não tem como ser diferente. Viemos para ganhar.”

Deixo para outra oportunidade uma avaliação crítica do trabalho de Marcílio Moraes. Como disse, a estratégia de lançamento de “Ribeirão do Tempo” terminou por ofuscar a própria novela.

Por Mauricio Stycer às 09h02
18/05/2010

Entre altos e baixos, dez motivos para ter esperança com “Passione”

“Passione”, de Silvio de Abreu, poderia ter um subtítulo – “A Esperança”. Seria uma homenagem a Benedito Ruy Barbosa, autor de uma novela com este título, e a todos os autores que, desde a década de 50, vem usando e abusando da temática italiana na televisão brasileira. E seria também uma forma de expressar os muitos sonhos e expectativas que cercam esta nova produção. Vi no primeiro capítulo bons motivos para ser otimista, mas também algumas razões para temer pelo pior. Dez motivos, enfim, para ter esperança:

1 - Esperança que Silvio de Abreu mantenha o ritmo da estreia e cumpra tudo que prometeu, incluindo introduzir um crime misterioso lá pelo capítulo 100 e evitar o merchandising social. Que seja coerente e não se deixe levar pelas pesquisas e pelos primeiro números de audiência.

2 - Esperança que este elenco “galáctico” dê liga e tenha química. Como acontece no futebol, nem sempre um time rico em estrelas funciona. Ainda é cedo para fazer uma aposta neste sentido, mas é preocupante ver tantos galãs e candidatos a galã numa mesma novela.

3 - Esperança que Cleyde Yáconis, Fernanda Montenegro e Aracy Balabanian iluminem, pela simples presença e efeito-demonstração, as jovens atrizes do elenco, ainda tão iniciantes em algumas matérias.

4 - Esperança que um dia Tony Ramos enrole a língua e engasgue de tanto falar com esse ridículo sotaque de “novela-spaghetti” – ele e tutti quanti do núcleo toscano da novela. 

5 - Esperança que Caroline Dieckmann não envergonhe mais do que já fez no primeiro capítulo. Repórter fazendo “pós-graduação em jornalismo”, com câmera fotográfica pendurada no pescoço, implorando acesso para escrever uma reportagem sobre ciclismo, nem no Tour de France.

6 - Esperança que a personagem de Vera Holtz dê muitas gargalhadas durante a novela, mas invente um sotaque caipira um pouco diferente do que já fez em outra novela. E que continue a ter grandes tiradas, como esta definição que deu para o próprio filho (Reynaldo Gianecchini): “Bonito feito um Deus, mas ordinário feito o capeta”.

7 – Esperança que Francisco Cuoco e Irene Ravache consigam encontrar o tom certo para interpretar um personagem-clichê que Silvio de Abreu adora: o casal novo-rico, “emergente”, sem refinamento, que comete uma gafe atrás da outra. Os exageros da dupla na estreia destoaram do tom geral.
 
8 - Esperança que os vilões sejam vilões e aprontem bastante. Pelo que apresentaram no primeiro capítulo os personagens de Gianecchini e Mariana Ximenes, de um lado, e o de Werner Schunemann, do outro, a promessa de diversão é grande.

9 - Esperança que a novela das sete, “Tempos Modernos”, aprenda com “Passione” que é possível mostrar não apenas uma São Paulo maquiada, mas também os seus monstrengos – viadutos, prédios feios e gente pobre nas ruas.

10 - Esperança que esse elenco de “Passione” dê margem a muita agitação tanto no Projac quanto nos cantos onde se escondem os paparazzi. Que eles animem a vida dos sites e revistas de celebridades, e de seus leitores, que sofreram durante “Viver a Vida” – uma novela tediosa não só em cena, como também nos bastidores.

Por Mauricio Stycer às 09h08
17/05/2010

Humor negro de qualidade

“Estamos aqui reunidos para a despedida do melhor assistente que um mágico poderia desejar”.

Na impossibilidade de blogar hoje, por conta de compromissos profissionais, deixo um cartoon de Tom Cheney, publicado na edição de 10 de maio da “New Yorker” – um exemplo de humor negro da melhor qualidade.

Por Mauricio Stycer às 14h19
16/05/2010

Diário de repórter

A semana começou com uma visita à Casa Fasano, em São Paulo, com o objetivo de contar o que ocorre durante a “festa de lançamento” de uma novela, no caso “Passione”, prosseguiu na terça-feira com uma viagem ao Rio de Janeiro, para observar o comportamento do técnico Dunga, durante a entrevista, no Hotel Windsor, na qual justificou a convocação da seleção que irá à Copa do Mundo na África do Sul, e também para descrever o clima que cercou o evento, e terminou no sábado com uma noitada na Praça Roosevelt, em São Paulo, palco de uma das atrações da Virada Cultural.

Por algumas horas, conversei com fãs de desenhos animados e mangás japoneses, bem como com apaixonados por “Star Wars” e viciados em “Star Trek”, “Harry Potter” e na saga “Crepúsculo”. Foram todos agrupados num ambiente chamado de “Dimensão Nerd”, talvez a atração mais doida da Virada este ano.

Entre uma e outra atividade, também fiz uma entrevista com um cineasta brasileiro, que será publicada na próxima semana, assisti um documentário do Discovery Channel sobre “A Ciência do Gol”, e vi muita televisão, do programa de Luciana Gimenez ao último capítulo de “Viver Vida”. Uma semana intensa, ao longo da qual, mais uma vez, tive o privilégio de me divertir enquanto trabalhava.

Crédito da foto: Leandro Moraes/UOL

Por Mauricio Stycer às 13h27

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 23 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha de S. Paulo" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor de “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Busca

Histórico

RSS