12/03/2010

A comédia da “conversão” dos gays: quando o BBB imita "Seinfeld"

Assunto da semana no BBB10, a divertida troca de olhares, carícias e insinuações entre Serginho e Fernanda recoloca em cena o tema da “conversão” de gays. Será “a maior jogada de marketing de todos os BBBs”, como suspeita Dourado, ou há alguma verdade neste relacionamento, como parece acreditar Michel?

Recomendo assistir o episódio “The Beard”, exibido na sexta temporada de “Seinfeld”, em 1996, mas disponível em DVD. Uma das divertidas histórias do programa envolve Elaine e Robert, um amigo gay, que não pode assumir a sua condição no trabalho porque o chefe é muito conservador.

A comédia começa quando Elaine faz o favor de sair com Robert no esforço de convencer o chefe do sujeito sobre a sua masculinidade. O programa, lógico, é um espetáculo de balé, “O Lago dos Cisnes”, no Metropolitan. Tudo corre bem durante a noitada – tão bem, aliás, que ela fica encantada por ele.

“Conversão? Troca de times?”, pergunta Seinfeld ao ouvir o relato de Elaine. “Por que ele não pode jogar conosco?”, ela pergunta, insistindo na metáfora esportiva. “Porque ele se sente bem com o próprio equipamento”, responde Seinfeld.

Elaine volta a sair com Robert e pergunta: “Já pensou em trocar de time?”. Ele diz que não, mas admite arriscar. “Vou começar como defensor”, propõe. De tanto insistir, Elaine consegue uma noite de amor com Robert. “Eu o transformei”, ela conta depois para Seinfeld. “É uma lição para as crianças: tudo é possível”, diz. E acrescenta: “É a relação perfeita: só sexo e compras”.

Dias depois, Elaine volta a procurar Seinfeld para contar que a relação não progrediu. “Ele recuou”, diz. “Como mulher, só tenho acesso ao equipamento por 30 a 45 minutos por semana. Como posso ter o mesmo conhecimento que gente que possui esse equipamento e tem acesso a ele 24 horas por dia?” Responde Seinfeld: “Você não pode. E é por isso que eles perdem tão poucos jogadores”.

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Na noite de quarta-feira, quando começou a comédia do namoro entre Serginho e Fernanda, Dourado deu um show de humor – à sua maneira, é claro. “Ele tem que aprender o que é bom”, disse para Michel, logo completando: “Nada de preconceito”. Um pouco depois, o lutador disse: “De repente, esse guri vai sair daqui um lutador de vale-tudo”. E acrescentou: “Imagina se ela regenera o guri?”

Michel e Dourado ficaram brincando, ensinando técnicas para Serginho conquistar Fernanda. A sugestão do lutador foi, de longe, a mais sutil: “Pega na nuca, puxa o cabelo dela e dá uma cuspida na boca dela”.

Por Mauricio Stycer às 13h50
11/03/2010

Na “Rolling Stone”, Bial volta a lembrar que não está jornalista

Pedro Bial causou uma certa confusão ao afirmar à revista “Rolling Stone” que não está nem um pouco preocupado com a sua “credibilidade”. Na frase que circulou em vários blogs, ele diz: “Quem quer isso (credibilidade) é pastor, padre. Não vou fundar igreja, não quero que acreditem em mim”. Sugiro, para começo de conversa, ler o conjunto das declarações do apresentador do BBB a respeito do assunto:

Essa foi a grande libertação do Big Brother para mim: mostrar que a gente não precisa se levar tão a sério e que é bom não se levar tão a sério. (...) Foi quando me despi da posição de jornalista e percebi que isso não necessariamente ia arranhar a minha imagem. Esse papo de credibilidade... quem quer isso é pastor, padre. Não vou fundar igreja, não quero que acreditem em mim. Os jornalistas em geral se levam muito a sério.

Como Bial deixa claro no início da declaração, ele não está vestindo a roupa do jornalista ao falar. Nem poderia. Pelos padrões da Rede Globo, o apresentador do BBB não pode ser considerado um profissional desta área. Ele pode até voltar, um dia, a praticar o jornalismo, mas no momento, parafraseando o ex-ministro Eduardo Portella, ele não está jornalista

Por norma interna da Globo, jornalistas são proibidos de fazer publicidade. A emissora entende, corretamente, que é inconcebível um profissional ser garoto-propaganda de um determinado produto que, em outro momento, pode ser objeto de uma reportagem dos noticiários da casa. Além do evidente conflito de interesses que causa, ao emprestar sua imagem a um produto o jornalista coloca em risco a sua credibilidade.

Como sabem os que assistem o BBB, Bial é garoto-propaganda de inúmeras marcas. O sucesso comercial do reality show global leva o apresentador, em inúmeras situações, a participar das ações de merchandising e a falar dos produtos que patrocinam o programa.

Não existe bem mais precioso para um jornalista que a sua credibilidade. Sem ela, o que produz se esvazia de sentido, não é levado a sério. Bial sabe disso e sua declaração polêmica à “Rolling Stone” não passa da provocação de um discípulo assumido do Chacrinha, destinada a causar barulho.

Para os profissionais da área, não faz muita diferença o que Bial pensa a respeito da profissão. Mas importa lembrar mais uma vez o público que assiste o BBB e cobra “imparcialidade” do seu apresentador. No programa, não julgue Bial como jornalista. 

Por Mauricio Stycer às 16h16
10/03/2010

Paredão perde 55 milhões de votos

Em resposta a uma leitora, o diretor Boninho informou, na madrugada de hoje, o resultado da votação que eliminou Eliéser do BBB10: foram 37 milhões de votos. O resultado é notavelmente inferior aos dois paredões anteriores, que bateram recordes. A eliminação de Angélica (em 23 de fevereiro) mereceu um total de 77 milhões de votos, marca superada logo na semana seguinte (em 2 de março), quando Cacau deixou o programa numa votação com 92 milhões de votos.

Boninho disse que pediu a Bial que informasse o resultado do paredão durante o programa, mas o apresentador teria se esquecido. O diretor fez ainda uma referência a este jornalista, dizendo que o resultado de 37 milhões seria “pequeno para @mauriciostycer”. Em texto publicado no UOL Televisão logo depois de encerrado o programa desta terça-feira, escrevi sobre o discurso da eliminação de Bial e o seu comentário final. Anotei:

Bial avisou: “O jogo vai começar agora”. Será? Depois de 57 dias, o programa, na verdade, parece se preparar para voltar a subir uma colina que já havia escalado antes, mas desceu, sem notar. É sintomático que o apresentador não tenha revelado o número de votos no paredão desta semana.

O texto intitula-se Sobre chimpanzés, veados e trogloditas, uma referência ao fato de o apresentador ter lido para os candidatos um trecho do livro "Pegando Fogo", do antropólogo Richard Wrangham, no qual ele descreve o comportamento dos macacos.

Atualizado às 15h30: O título original deste post era "Paredão despenca de 92 milhões para 37 milhões de votos". Troquei-o por um bem mais elegante, que vi na home do UOL.

Por Mauricio Stycer às 09h21

A teoria da evolução, segundo o BBB

Pedro Bial leu nesta terça-feira um trecho do livro “Pegando Fogo”, do antropólogo inglês Richard Wrangham, na qual o autor descreve o comportamento dos macacos – agressivos, dissimulados, em busca de afeto. Parecia estar falando de seus heróis, os candidatos ao prêmio de R$ 1,5 milhão, e também do público, pois afirmou que os confinados atraem pessoas muitos semelhantes a eles. O programa também mostrou em detalhes a briga entre Dourado e Dicesar, durante a qual o lutador intimou o maquiador: “Apesar de ser viado, seje homem”. A propósito desta salada, escrevi o texto Sobre chimpanzés, veados e trogloditas

Por Mauricio Stycer às 01h15
09/03/2010

Futebol, suor e cerveja

A saga de Adriano caiu na boca do povo depois que o próprio jogador tratou abertamente, em algumas entrevistas, de seus problemas relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas. O que seria uma questão de foro íntimo ganhou a esfera pública de uma forma inédita no mundo do futebol.

Há algumas razões para isso – umas evidentes, outras menos. A primeira: graças ao seu talento, Adriano integra a elite do futebol mundial, com tudo que isso implica em termos de negócios e perda de privacidade.

Já há muitos anos, o jogador tem seus movimentos seguidos passo a passo e, não à toa, ainda na Itália, há quase três anos, foi obrigado a das satisfações sobre a sua queda de rendimento na Inter: “Depois da morte do meu pai e do rompimento com minha noiva Daniela, me refugiei na bebida”, disse à “Gazzetta dello Sport”, em julho de 2007.

Entre idas e vindas desde então – passagem pelo São Paulo, volta para a Inter, reencontro com o Flamengo –, Adriano tem exibido um desempenho errático, alternando momentos de brilho com outros de crise. À frente do time que venceu o Brasileiro de 2009, mostrou a sua força, terminando como um dos artilheiros, com 19 gols.

Apesar de não ter participado das campanhas vitoriosas na Copa América (2007) nem na Copa das Confederações (2009), Adriano foi prestigiado por Dunga em várias convocações, tanto para partidas das eliminatórias quanto para amistosos. O técnico da seleção, também, já deu declarações de apoio ao jogador, sugerindo que não o julga em função de seus problemas pessoais desde que ele desempenhe bem como jogador.

Dunga não é moralista. Sua amizade e cumplicidade com Romário na Copa de 94 e sua confiança em Robinho, para citar apenas dois exemplos, mostram isso. Quando fala em “comprometimento”, “entrega” e “dedicação”, está defendendo os jogadores que fizeram um pacto com ele em nome de um objetivo profissional, independentemente de qualquer outra coisa.

Um elemento complicador nesta história é o fato de a seleção brasileira ter, entre os seus patrocinadores, uma marca de cerveja e o seu técnico ser garoto-propaganda dela. O drama de Adriano reforça o argumento de quem acha que não se deve associar esportes com bebida alcoólica.

O fato é que a presença, ou não, do jogador na África do Sul é uma questão que ficará em pauta até maio, quando sai a lista dos convocados para a Copa de 2010.

Crédito da foto: Divulgação

Por Mauricio Stycer às 13h57
08/03/2010

Indústria foi sábia ao premiar o pequeno “Guerra ao Terror”

A derrota de “Avatar” para “Guerra ao Terror” foi entendida por alguns comentaristas como “um tiro no pé” de Hollywood. Por esse raciocínio, a indústria cinematográfica deveria ter consagrado com o seu premio maior o filme mais caro da história (US$ 500 milhões), e também o que mais arrecadou (US$ 1 bilhão), e não um filme independente, cuja produção teve enormes dificuldades para se viabilizar, apesar do orçamento de US$ 11 milhões, e que não conseguiu se pagar nos Estados Unidos.

Entendo, ao contrário, que a indústria foi sábia ao optar pelo filme de Kathryn Bigelow. Não vejo esta vitória (mais uma) de um Davi contra um Golias como uma “condenação” ou “crítica” ao modelo de superprodução de “Avatar”, mas como sinalização de que Hollywood precisa voltar a irrigar os canais que viabilizam a produção cinematográfica independente. E quem está dizendo isso é a própria indústria – ao menos, uma parte considerável de seus integrantes.

Prefiro acreditar que a Academia tenha tido a sabedoria de dizer que “Avatar”, depois de propor novos padrões à indústria do entretenimento, não precisava de mais esta consagração. O filme já assegurou seu lugar no panteão de Hollywood, e não será o Oscar não recebido que o tirará de lá.

Alguém disse que no futuro ninguém se lembrará de “Guerra ao Terror”. Dor de cotovelo, ou não, pouco importa. O fato é que, para a sobrevivência do próprio negócio, as formas alternativas de produção precisam de espaço. E a premiação do pequeno e ótimo filme sobre a Guerra do Iraque está aí para mostrar que, de boba, Hollywood não tem nada.  

Em tempo: Quem leu meus palpites (abaixo) viu que eu não acreditava nesta opção, embora a desejasse.

Por Mauricio Stycer às 11h42

Como reescrever a história de um candidato do BBB. Em maiúsculas

Boninho reclamou no Twitter. Bial deu alguns toques no programa. Mas não adiantou. Fernanda continuou sem graça, preocupada com sua imagem. Até que virou líder e recebeu uma carta da família, informando, em maiúsculas, que estava solteira. De menina recatada transformou-se numa moça ousada. E o Oscar de roteiro adaptado vai para o BBB, escrevi.

Por Mauricio Stycer às 01h19
07/03/2010

Palpites para o Oscar

Ninguém pediu, mas ai vai o meu palpite para o Oscar. Acho que “Avatar” vai levar os principais prêmios. Além de ser um bom filme, propõe uma nova forma de entretenimento e movimentou os cofres da indústria de forma inédita – um conjunto imbatível para a Academia que dá o troféu. Como, de modo geral, sempre erro minhas previsões, seguem abaixo duas séries de pitacos nas principais categorias – os candidatos que eu acho que devem ganhar o prêmio e aqueles que eu gostaria que ganhassem.

Devem ganhar
Filme – "Avatar"
Diretor – James Cameron (“Avatar”)
Ator – Jeff Bridges (“Coração Louco”)
Atriz – Gabourey Sidibe (“Preciosa”)
Ator coadjuvante – Christoph Waltz (“Bastardos Inglórios”)
Atriz coadjuvante – Anna Kendrick (“Amor sem Escalas”)
Roteiro original – “Guerra ao Terror”
Filme estrangeiro – “A Fita Branca”

Gostaria que ganhassem
Filme – “Guerra ao Terror”
Diretor – Kathryn Bigelow (“Guerra ao Terror”)
Ator – Morgan Freeman (“Invictus”)
Atriz – Gabourey Sidibe (“Preciosa”)
Ator coadjuvante – Christoph Waltz (“Bastardos Inglórios”)
Atriz coadjuvante – Mo´Nique (“Preciosa”)
Roteiro original – “Bastardos Inglórios”
Filme estrangeiro – “A Fita Branca”

Não vou dar palpites em roteiro adaptado porque não li nenhum dos livros utilizados como fonte dos roteiros. E não asisiti a dois filmes que podem ter prêmios, "The Last Station" e "Um Sonho Possível".

Por Mauricio Stycer às 13h43

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 23 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha de S. Paulo" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor de “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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