05/03/2010

“Força e honra”: uma visita à “Máfia Dourada” no Orkut

São mais de 300 comunidades no Orkut com o seu nome. Fora outras tantas, com outros títulos, que tratam basicamente do que ele faz ou deixa de fazer 24 horas por dia. Marcelo Dourado é “o cara”, “o mito”, “o rei”, “a lenda”, mas também “o monstro” do Big Brother Brasil. Graças ao carisma e desempenho que vem mostrando, o reality show global gira, já há algumas semanas, basicamente em torno do candidato.

Uma visita às comunidades que apoiam Dourado no Orkut ajuda a dar uma dimensão do fenômeno. Com 614 mil membros, “Marcelo Dourado Mestre BBB 10” é uma das maiores. Também muito freqüentada é a “Máfia Dourada”, com quase 100 mil integrantes. São grupos que discutem o programa a sério, convocam os seus participantes a votar e enaltecem os feitos do “mito”.

Também há comunidades menos freqüentadas, mas não menos instrutivas, como “Marcelo Dourado para presidente” e “Marcelo Dourado eu pegava”, que se contrapõem a grupos que se unem em torno de propostas como “Eu odeio Marcelo Dourado” e “Marcelo Dourado o monstro BBB”

Em quase todas as comunidades há fóruns com tópicos em homenagem às “frases do mestre”. São relembradas, orgulhosa e repetidamente, passagens de Dourado no programa, como as ameaças a Angélica (“era pra mim ter quebrado o dedo dela”), o seu grito de guerra (“força e honra”), sua reação ao ver a avó na plateia (“minha avó é mafiosa”) e outras tiradas, como a musiquinha que cantou: “Quem tem medo do paredão, paredão, paredão”

A aversão de Dourado aos gays que participam do programa é um tema recorrente nas comunidades. Sua opinião de que heterossexuais não contraem o vírus da Aids é tratada como um equívoco menor, não como manifestação de preconceito. Ainda que pululem comentários com ofensas a homossexuais, há grande preocupação entre os moderadores destas comunidades em rechaçar a ideia que o candidato seja homofóbico.

Veja, por exemplo, a observação de um moderador, em resposta a um comentarista que chamou a atenção para a homofobia de Dourado: “A máfia dourada em ação. Somos os melhores e mais numerosos, orgulho hetero, mas respeitando os homossexuais... É totalmente normal nos orgulharmos do que somos... IDIOTA, você tem que se orgulhar de ser IDIOTA, porque está manchando a imagem dum cara legal”

O esforço de votar seguidamente em Dourado é visto nestas comunidades como um sacrifício em nome de algo maior. “Você que está com o braço cansado, perdeu sono, pode saber que você lutou por uma pessoa que merece. O mestre é o exemplo de cada um de nós lá dentro. Um cara humilde, lutador, guerreiro, sincero, uma pessoa que é o líder de uma máfia grande, guerreira e batalhadora igual ele!!!” E ainda: “Máfia Dourada qual é a sua missão??? Fazer que o mestre ganha esse milhão!!”

Outro tema sensível, que as comunidades enfrentam abertamente, é o da tatuagem de Dourado que reproduz uma suástica. “Deixa o cara!!! Por mim, ele pode tatuar o ADOLF HITLLER, que se f...!!! Quero mais é que ele ganhe, e acabe com aquela turminha lá, de fofoqueiros e falsos!!”, escreveu uma fã. “Até eu vou agora colocar uma suástica no braço ou nas costas pra simbolizar a hipocrisia mundial, e a vontade de justiça e ordem nesse mundo!”, escreveu outro.

Como as demais comunidades relacionadas ao BBB no Orkut, as que fazem a defesa de Dourado não apenas funcionam como um espaço para estimular votos, mas também para combinar ações em conjunto. As recentes críticas do novelista Aguinaldo Silva a Dourado (“não passa de um paraibazinho muito do chinfrim”, escreveu) provocaram várias reações deste tipo.

“O Aguinaldo Silva falou mal do mestre no Twitter, não podemos deixar por menos, criem um tópico todo dedicado a galera que tem Twitter pra detonar a bee safada”, propôs um fã. Também não faltam ameaças veladas, como: “Temos que tomar alguma providência sobre o fdp do Aguinaldo Silva. Ele falou mal gratuitamente do Dourado e isso vai ter retorno. Não podemos deixar isso acontecer”, escreveu outro.

Em tempo: como o tema costuma provocar reações acaloradas, já aviso que não serão aceitos comentários com ofensas.

Por Mauricio Stycer às 13h24
04/03/2010

Quatro décadas de corrupção, pobreza e abusos no futebol brasileiro

Ano de Copa do Mundo é sempre garantia de bons lançamentos na área editorial. O primeiro tiro certeiro de 2010, indispensável para estudantes de jornalismo e interessados em jornalismo esportivo, é “11 Gols de Placa – Uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol”, organizado pelo jornalista Fernando Molica.

O livro reúne onze trabalhos de fôlego sobre o “lado B” do futebol brasileiro, ou seja, sobre os graves e perpétuos gols contra que vem marcando ao longo do tempo. Como escreve Molica, explicando a sua seleção, é “uma escalação que mistura corrupção, pobreza, desemprego, falsificação de documentos, abuso e exploração de menores”.

A primeira reportagem é o premiado texto de João Maximo, “Futebol brasileiro: o longo caminho da fome à fama”, publicado no “Jornal do Brasil”, em 1967, no qual o jornalista descreve os sérios problemas de saúde – de subnutrição a sífilis – que enfrentavam então os jogadores dos principais clubes brasileiros.

O livro traz ainda uma segunda série publicada no final da década de 60, “O Jogador é um escravo”, na qual Michel Laurence, José Maria de Aquino e Luciano Ornellas mostraram, em “O Estado de S.Paulo”, como os jogadores de futebol se submetiam ao desígnio de dirigentes esportivos, aceitando tratamentos médicos criminosos, assinando contratos em branco e não recebendo os seus direitos básicos.

"11 Gols de Placa" dá, então, um salto até a década de 90, e apresenta reportagens sobre assuntos que o leitor deve se recordar. Para citar apenas algumas, há a série de “O Globo”, assinada por Marco Penido e equipe, sobre corrupção e negociação de resultados na Federação de Futebol do Rio de Janeiro, e a descoberta, por Sergio Rangel e Juca Kfouri, da “Folha de S.Paulo”, das contas furadas da CBF e do contrato da entidade com a Nike.

Entrando no século XXI, a seleção de Molica mostra a persistência de velhos problemas. A série de Diogo Olivier Mello, publicada no “Zero Hora”, em 2001, revela as desigualdades sociais no mundo da bola, além dos graves problemas que jogadores enfrentam durante e ao final da carreira. O livro se encerra com a reportagem de Andre Rizek e Thais Oyama, publicada em “Veja”, em 2005, sobre a “máfia do apito” montada para fraudar resultados de partidas de futebol.

Todas as reportagens são acompanhadas de textos introdutórios, preparados especialmente pelos autores para o livro, nos quais revelam o “making of” do trabalho que realizaram e contam bastidores não incluídos nos textos.

“11 Gols de Placa” (378 págs., R$ 49,90) é o terceiro título de uma parceria entre a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a editora Record, que já rendeu também “10 Reportagens que Abalaram a Ditadura” e “50 Anos de Crime”.

Por Mauricio Stycer às 10h49
03/03/2010

Dica cultural ao BBB: “Até as princesas soltam pum”

Foi um destas cenas sublimes, que ajudam, mais do que mil palavras, a desenhar o quadro, definir a situação. Dormindo na mesma cama que Lia, Fernanda soltou um pum. Justo ela, a tímida dentista, a única nesta edição que poderia ser chamada de “princesa” (não tivesse Bial gasto o rótulo com Priscila no BBB9), deixou escapar um pum embaixo do edredon.

Para piorar, Lia resolveu fazer piada da situação. Só faltou pedir para ver as mãos de Fernanda. A loirinha do BBB magoou. Teve insônia. Ficou nervosa. E, nesta quarta-feira, tentou se explicar. Quase chorando, disse que já dividiu a cama com outras pessoas no BBB sem nunca soltar um pum. Teve início, então, uma conversa sobre a freqüência com que as moças vão ao banheiro. A dentista lembrou que Lia já comentou sobre o seu ritmo campeão – vai três vezes por dia. “Eu e a Maroca não vamos”, lamentou Fernanda.

Lia tentou interromper este momento edificante, mas a loirinha foi firme. “Posso concluir o pensamento sem você me interromper?”. “Vou tentar”, respondeu Lia, mal-humorada. “Você fica falando tanto que vai parecer que faço isso o tempo todo. É aquela história da verdade absoluta”, disse Fernanda indo ao ponto que a atormenta: ficar com má fama, não apenas dentro da casa, mas no Brasil inteiro.

Fernanda não ficaria tão preocupada se já tivesse lido uma pequena jóia da literatura infantil. Chama-se “Até as princesas soltam pum” e é recomendado para crianças acima de 4 anos. Lançado em 2008, o livro é um sucesso e já está em sua quinta reimpressão. De autoria de Ilan Brenman e Ionit Zilberman (Brinque-Book, 28 págs., R$ 28,70), conta a história da menina que chega em casa chateada com uma discussão que houve no colégio: “O Marcelo falou para as meninas que a Cinderela era uma peidona”.

No esforço de consolar a menina, para quem o mundo caiu com tal revelação, o pai vai até a estante, retira de lá “O Livro Secreto das Princesas” e conta para a filha diferentes e divertidas histórias – sobre Cinderela, Branca de Neve e a Pequena Sereia. Todas elas, em momentos cruciais, deixaram escapar um pum.

Fica aqui a dica para a produção do BBB10: deixar um exemplar de “Até as princesas soltam pum” na casa mais vigiada no Brasil. Fernanda iria dormir melhor depois de ler.

Por Mauricio Stycer às 16h34

Verdade, mentira e ilusão no reality show

Ao receber Cacau, eliminada em nova votação recorde do BBB, Pedro Bial descreveu cenas do namoro da moça com Eliéser e perguntou: “E você queria que o público acreditasse que é verdadeiro?” O discurso da eliminação concentrou-se numa questão central neste tipo de programa: a ilusão e a mentira. Mas passou a impressão que apenas Eliéser e Cacau praticaram ilusionismo no programa. Daí a pergunta que fiz: Quem está enganando quem no BBB?

Por Mauricio Stycer às 01h11
01/03/2010

Ely Azeredo: Excesso de festivais e pouco espaço para crítica de cinema

O crítico Ely Azeredo lança nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, o livro “Olhar Crítico – 50 anos de cinema brasileiro”, no qual reúne 98 textos publicados ao longo de sua carreira. Troquei alguns e-mails com o crítico a propósito do livro, que resultaram no texto “Galuber me pediu pessoalmente que parasse de atacar o Cinema Novo”, publicado no UOL Cinema.

Responsável pelo batismo do Cinema Novo, Azeredo insurgiu-se contra o clima de “militância” que vigorou no início dos anos 60, estimulado tanto por cineastas quanto por críticos que apoiavam o movimento. O texto que produzi sobre o livro trata bastante deste período agitado e polêmico da sua produção. Mas a conversa com Azeredo foi além deste tópico. Reproduzo abaixo outros trechos da entrevista:

Pergunta: Ao listar os diferentes papéis que a crítica de cinema exerceu no Brasil, você menciona o apoio ou a contribuição que ela deu ao surgimento da Cinédia, da Vera Cruz, do Cinema Novo, das Cinematecas (Rio e SP), da legislação de fomento nos anos 60 e para a volta de Alberto Cavalcanti ao Brasil. Pensando nos últimos 20 anos, qual foi o papel da crítica de cinema no Brasil?
 
Ely Azeredo: Menciono também os cinemas de arte, inseparáveis da história da formação de plateias no Brasil. Depois de um primeiro momento de descrença, a crítica procurou estimular o interesse pela Retomada, o período da produção nacional que vai de 1995 ao início do século 21. “Cidade de Deus”, de 2002, talvez fique como o rompimento da “fita de chegada” ao marco de excelência.
 
Mas, para sermos exatos, ao contrário do que ocorreu nos anos 60, desta vez a iniciativa de criar nova legislação de fomento à produção partiu de cineastas, de profissionais que haviam sido imobilizados pelo chamado “desmonte da cultura” no governo Collor. Nos anos 90 havia na imprensa especializada um certo desânimo ante o andar da carruagem. O país vivia o vale-tudo neo-liberal. Ao contrário das décadas de 60 e 70, a mídia não dava demonstrações de considerar saudável a criação de novos organismos de Estado, como o INC (Instituto Nacional de Cinema) e a Embrafilme, grandes fomentadores da produção.

Nos últimos tempos vejo um excesso de festivais nacionais de cinema. Nada contra festivais. Mas é preciso não esquecer que - sem contar muito com seu mercado natural - parte das safras nacionais só encontra circuito na “rede” de festivais. Uma situação vexatória.
 
Pergunta: Relendo as críticas daquele período (Cinema Novo), qual contribuição você julga ter dado ao debate cinematográfico?

Azeredo: Desde os anos 50 utilizei meus amplos espaços na “Tribuna da Imprensa”  (quando pertencente a  Lacerda, jornal de certa circulação nacional) para batalhar pela renovação de valores. Mas as críticas do livro falam por mim. Em todo caso, passo as palavras de um fundador do Cinema Novo, Cacá Diegues (em "O Globo", dia 20 último): “Ely foi o mais moço de uma geração de críticos fundamental para a formação de uma cultura cinematográfica no Brasil. Embora nem sempre concordasse com nossas ideias e filmes, ele foi muito importante na formação de aspectos do pensamento do Cinema  Novo, com provocações construtivas. Foi um dos críticos brasileiros que melhor decifraram para nós a Nouvelle Vague francesa”.
 
Pergunta: Tratando de tempos mais recentes, ainda é possível falar de crítica de cinema na imprensa? Como você vê as transformações ocorridas nestas cinco décadas de trabalho?
 
Azeredo: A partir dos últimos anos 70, os espaços da crítica foram encolhendo na imprensa. A decisão de  concentrar as críticas de todos os filmes no chamado dia de lançamentos (sexta-feira, na atualidade) retirou dos leitores a possibilidade de manter um hábito extremamente enriquecedor: o de ler opiniões sobre cinema diariamente - ou, pelo menos, em vários dias da semana.

Não por acaso foi Antonio Moniz Vianna quem multiplicou o interesse brasileiro pelas colunas especializadas, a partir de 1946, quando ingressou no “Correio da Manhã”, do Rio de Janeiro, com amplo espaço fixo e a meta (até então impensável) de  produzir crítica todos os dias.

Com raras exceções, hoje a crítica só dispõe de espaços razoáveis em alguns endereços da internet e nas  raras revistas especializadas - como “Teorema - crítica de cinema”, publicação semestral de Porto Alegre.

Por Mauricio Stycer às 19h16

Bial: Eliéser é o “namoradinho-inho-inho” de Cacau

O apresentador Pedro Bial fez uma série de referências pouco simpáticas a Eliéser ao longo da última semana. Mas o modelo paranaense não foi a única “vítima” do apresentador, como escrevi neste domingo no texto A fixação de Bial em Eliéser e outras intervenções fortes, publicado no site dedicado ao BBB10 no UOL. Serginho e Fernanda também foram brindados com comentários picantes. 

Por Mauricio Stycer às 01h44

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 23 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha de S. Paulo" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor de “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

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Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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