23/01/2010

O sonho do caipira Eliéser

Engenheiro agrônomo e modelo, aspirante a uma carreira de ator, o paranaense Eliéser, de 25 anos, é o caipira do BBB10. Até os 14 anos viveu em São Jorge do Ivaí, cidade com pouco mais de 5 mil habitantes, e de lá mudou-se para Maringá, com cerca de 300 mil habitantes. O seu pai é agricultor e a mãe, cabeleireira. Como jogador de vôlei em Maringá, obteve bolsas de estudo e alcançou a faculdade. Fez trabalhos como modelo e chegou no BBB ostentando o título de Mr. Maringá. É dele a frase da semana, dita na madrugada de sexta-feira, numa conversa com Uiliam e outros amigos, especulando sobre o seu futuro, caso saia-se bem no programa:

- Imagina você chegar na sua cidade no carro dos Bombeiros?!

PS (incluído às 19h07): Em atenção aos leitores que protestaram, não tive a intenção de ofender Eliéser ao chamá-lo de caipira. A Grazi, do BBB5, também não era chamada de caipira?

Por Mauricio Stycer às 12h27
22/01/2010

Tessalia, a Geni do Twitter, provoca onda de protestos

Um dia depois de a edição do BBB10 mostrar Tessália como a candidata mais obcecada em tramar pela sua permanência no BBB e conspirar contra possíveis adversários, a moça se tornou a Geni do Twitter.

O humorista Antonio Tabet, conhecido como Kibe Loco, deu o tom dos comentários: “palavra escrota do dia: tessalia”, escreveu ele, sendo imediatamente retuitado por centenas de seguidores.

Além de falar muito abertamente do jogo, Tessalia também atraiu comentários depois de começar um namorico na casa com Michel. O rapaz tem (tinha?) uma namorada, que veio a público falar do seu choque e decepção com as cenas que viu.

O público, especialmente o feminino, entendeu que a culpa é de Tessalia. “Aquela Tessália é uma cobrinha! Coitada da namorada do Michel”, escreveu @gii_rock. Em resposta a uma pergunta minha – “o que a Tessalia fez para merecer tantas ‘homenagens’ no Twitter?”, - @danicascaes respondeu com outra pergunta: “fora ser manipuladora, pegar o bofe que tem namorada aqui fora (povo se doeu pela namorada) e ser falsa?”

Tessalia, cuja identidade no Twitter é Twittess, ficou famosa ao adotar uma postura agressiva –e desleal, na visão de muitos – em busca de seguidores, recorrendo a softwares (“scripts”) que incrementam a sua audiência. Tessalia também tratou abertamente de captar anunciantes para o seu perfil no Twitter, oferecendo postagens por R$ 500.

Muitas das críticas atuais a Tessalia relacionam-se a esta postura. “A @Twittess ACABA DE DIZER NO BBB q nunca usou Script no Twitter HAHAHA ok ok”, escreveu @monicamarinho. “O único follower que a Tessália conseguiu sem script foi o Michel”, criticou @dbanin.

Ainda que alguns fãs saiam em defesa de Tessalia (“lendo os comentários de raiva do pessoal aqui ontem sobre o bbb.. hauhauahuaa adoroooo a tessalia!”, escreveu @tamaramansur), a maioria absoluta dos comentários é muito negativa: “Rezo Muito pra Nª Srª do Reallity Show, Permita que Tessália atenda o BIGFONE e o mesmo diga "vc esta no próximo paredão!”, escreveu @sergiojpassos, numa espécie de síntese do clima geral.

Por Mauricio Stycer às 11h32
21/01/2010

A rotina que gera tédio na Fazenda

Depois de 64 dias, e caminhando para o final, cada participante de “A Fazenda” segue o seu roteiro particular, repetindo o comportamento que deu certo até o momento. Mas rotina gera tédio. Caberia à produção do programa surpreender os peões, o que não ocorre. Em conseqüência, o espectador sofre. A esse respeito escrevi Noite de rotina na Fazenda: Igor arrasa, Alegria espanta André, Leozinho sorri e Britto vacila.

Por Mauricio Stycer às 11h05
20/01/2010

O papel-chave de Denise Dumont em “O Homem que Engarrafava Nuvens”

No ótimo documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens”, Lírio Ferreira convida o espectador a conhecer melhor Humberto Teixeira, um personagem central na história da música brasileira, mas hoje pouco lembrado, em função de uma trajetória que privilegiou o bastidor, e não o palco.

Esse seria um resumo adequado para o filme caso Lírio Ferreira se limitasse a apresentar o Humberto Teixeira compositor, autor de centenas de músicas, e parceiro de Luiz Gonzaga nos maiores sucessos do rei do baião. Mas há um elemento a mais em “O Homem que Engarrafava Nuvens”, que é a presença da atriz Denise Dumont.

Filha de Teixeira, Denise é produtora do filme e, também, uma “nuvem” na história, presente sem falar em várias cenas, interferindo aqui e ali, até aparecer plenamente numa cena-chave do documentário – a entrevista que ela própria conduz com sua mãe, Margarida Jatobá.

Ao longo dessa difícil conversa, e nas cenas seguintes, até o final, o espectador é levado a conviver com um Humberto Teixeira que ainda não havia aparecido – o pai que ficou com a guarda da filha, machão, repressor, insensível. E, a partir de então, começamos a olhar para a atriz de outro jeito. Quem é ela? O que ela está fazendo naquela cena de “Radio Days”, de Woody Allen? O que ela faz em “O Homem que Engarrafava Nuvens”?

É como se Denise obrigasse Lírio Ferreira a mudar de pista repentinamente, o que ele faz com muita habilidade, dando ao filme uma complexidade inesperada e enriquecedora. Numa boa entrevista, publicada domingo, o cineasta discute o que há de documentário e o que há de ficção nos seus dois filmes mais recentes – antes de “O Homem que Engarrafava Nuvens”, dirigiu “Cartola – Música para os Olhos”. No diálogo que reproduzo abaixo, vê-se muito claramente qual é a sua ambição enquanto cineasta:

UOL Cinema - Uma vez você disse que faz ficção como quem faz documentário e documentário como quem faz ficção. Você vê alguma fronteira entre os dois?
Lírio Ferreira - Hoje eu acho essa diferença um purismo inaceitável. Às vezes eu olho "Cartola..." e vejo mais ficção do que em "Baile Perfumado". Tanto "Cartola..." quanto "O Homem que Engarrafava Nuvens", se você fizer uma análise criteriosa, pode dizer que são ficções. Os dois têm um personagem, que é o Cartola, que é o Humberto Teixeira, que você construiu, que você contextualiza na época, tem o cenário, a direção de arte, Tudo pode ser uma ficção. É como o Cartola mesmo diz no final do meu filme, agradece ao público por ter visto 'estas verdades, estas mentiras, nem tudo é verdade, nem tudo é mentira'.

Creio que Lírio Ferreira alcança os seus objetivos neste filme sobre Humberto Teixeira – um filme complexo, equilibrado, sem apelação, bem-sucedido enquanto instrumento de resgate histórico e cultural, capaz de navegar entre vida pública e privada sem escorregar e, não menos importante, ainda convida o espectador a pensar.

 

Fotos: Patricia Stavis/Folha Imagem

Por Mauricio Stycer às 12h07

O BBB sai do armário

Depois de uma semana, parece claro que a maior – e mais importante – novidade da décima edição do BBB é a forma franca com que o programa resolveu lidar com a questão da sexualidade dos três participantes abertamente gays na casa. Escrevi o texto BBB tira a Globo, finalmente, do armário, no qual elogio a postura, até o momento, do programa.

Por Mauricio Stycer às 10h44
19/01/2010

Não discuta com o dramaturgo

Depois de fantasiar uma conspiração para “ferrá-lo”, depois de inventar que telefonei para ele, depois de tentar me desqualificar profissionalmente, Mario Bortolotto, o dramaturgo machão, me ameaça de porrada em seu blog. É o tom certo que se recomenda usar, quando faltam argumentos, para encerrar uma discussão. O seu destempero é explicável, e seria cruel da minha parte insistir nisso. Até mais, dramaturgo.

PS: Aos leitores que entraram neste blog entusiasmados com o tom “casca grossa” do dramaturgo, lamento informar que não publicarei mais comentários de gente babando. De onde eu venho, não se conversa dessa maneira.

Por Mauricio Stycer às 14h49
18/01/2010

A arte de deixar o tempo passar na Fazenda

Profissionais, pacientes, relativamente controlados, os candidatos dispostos a faturar R$ 1 milhão na “Fazenda” se dedicam a deixar o tempo passar. Para piorar, a Record ignora o espectador e exibe o programa em horários diferentes a cada dia. Escrevi Comparado ao BBB, Fazenda parece uma casa de repouso depois de assistir ao episódio deste domingo.

Por Mauricio Stycer às 12h05

HAL, Frank e Val: o que há de “2001” nos novos "robôs" da TV brasileira?

Dois computadores que falam estrearam esta semana na televisão brasileira. Ambos na segunda-feira. O primeiro foi Frank, na novela “Tempos Modernos”, da Globo. Um pouco mais tarde, surgiu Val, no reality “Solitários”, do SBT.

Os dois têm características semelhantes e, desconfio, prestam tributo à mesma fonte – o computador HAL 9000 de Arthur Clarke, imortalizado no filme “2001: Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick, de 1969.

HAL não foi o primeiro "robô" a fazer sucesso nos cinemas, mas é, de longe, um dos mais famosos. A bordo da nave Discovery, a caminho de Júpiter, ele interage com dois astronautas, David Bowman e Frank Poole, que desconhecem o verdadeiro propósito da missão (há, ainda, três homens hibernando na nave). A certa altura (espero não estar sendo lido por ninguém que ainda não assistiu o filme), HAL entra em crise e mata Frank.

A lista de filmes, programas de televisão, animações e HQs que citam ou fazem homenagens a HAL enche uma tela inteira de computador. A Wikipédia  lista mais de 50 referências pop, de um episódio dos Simpsons a um clipe da banda Cardigans, dos Muppets a um seriado israelense, e por aí vai.

O nome HAL é objeto de uma famosa polêmica. Clarke (1917-2008) e Kubrick (1928-99) diziam que representa a sigla “Heuristically programmed ALgorithmic computer” -  computador algorítmico heuristicamente programado. Mas não foram poucos os que notaram que as letras imediatamente seguintes no alfabeto a HAL são IBM. A empresa de computadores, inclusive, é citada no filme, entre outras marcas. Clarke e Kubrick nunca admitiram publicamente essa “inspiração”.

Tal como HAL, em “Tempos Modernos”, Frank  é representado por uma luz e uma voz sem emoção, aparentemente neutra, em diálogo com Leal (Antonio Fagundes). Por coincidência, seu nome é o mesmo do personagem que HAL mata em “2001”. Em “Solitários”, Val (mesma sonoridade de Hal) é apenas uma voz, que não demonstra emoções, enquanto tortura os candidatos do reality e ironiza os seus fracassos.

(Publicado originalmente em 15/01/10 e republicado por problemas técnicos)

Por Mauricio Stycer às 11h51

Sua excelência, o Público, reina no BBB

Uma clara injustiça cometida com uma participante da décima edição do BBB mexeu com os ânimos dos leitores que acompanham o diretor Boninho no Twitter. Em questão de horas, ele voltou atrás da decisão, corrigindo a injustiça. Neste domingo, o apresentador Pedro Bial louvou o papel do público na correção do erro e anunciou outra novidade, um concurso interativo no qual alguém do público participa do programa e tem a chance de faturar um carro. Escrevi o texto Só falta o público entrar na casa comentando essa dedicação do BBB aos desígnios da audiência.

Por Mauricio Stycer às 10h51
17/01/2010

Não peça entrevista ao dramaturgo

Em texto publicado na noite de sábado em seu blog, o dramaturgo Mario Bortolotto reagiu a texto publicado um dia antes neste espaço, no qual eu comentava reportagem da “Folha” sobre as investigações policiais a respeito do assalto que ele foi vítima.

A reportagem da “Folha” me chamou a atenção por dois aspectos. Primeiro, por informar que a apuração do caso Bortolotto mobilizou uma unidade inteira do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), levando à suspensão de outros 139 inquéritos. Em segundo lugar, por relatar que, segundo a polícia, Bortolotto não reconheceu um suspeito de atirar nele por temer represálias. “No entender de policiais, o real motivo de Bortolotto ao se dizer inapto seria o fato de ele ser conhecido no submundo da praça Roosevelt, além de saber que, nesse universo, a delação é tida como imperdoável”, afirma o jornal.

“Que culpa eu tenho?”, pergunta Bortolotto em seu blog sobre a prioridade que a polícia está dando ao caso, no esforço de prender o homem que atirou três vezes nele. E eu pergunto: Alguém escreveu que a culpa é de Bortolotto?

Quanto ao suposto medo de ser visto como delator, o dramaturgo escreve:

Se eu pudesse identificar o cara, eu o faria, mesmo porque não interpreto isso como delação. O cara atirou em mim, porra. Eu não sou bandido e não vivo sob código de bandido. Mas eu não sou leviano a ponto de acusar alguém sem ter certeza. E isso definitivamente eu não vou fazer. Vou ficar o resto da minha vida na dúvida se incriminei um inocente. Eu prefiro levar um tiro e acabar com essa merda de uma vez. Acho bem mais digno. Se antes eu já não tinha medo de morrer, agora então eu tenho muito menos. 

Em seu texto, intitulado “Jornalismo mauricinho”, Bortolotto vislumbra uma conspiração da “Folha” para atacá-lo em represália ao fato de não ter, até agora, concedido entrevista ao jornal. Em seu delírio persecutório, explicável, dada as suas condições de saúde, escreve que eu sou repórter do jornal – onde trabalhei entre 1988 e 1997.

Como repórter do UOL, claramente identificado, enviei um e-mail a Bortolotto no dia 7 de janeiro, dia em que ele publicou um texto em seu blog intitulado “Esclarecendo”, no qual explicava porque reagiu aos assaltantes. No e-mail eu dizia querer discutir as questões que o dramaturgo levantou.

Em 23 anos de jornalismo, Bortolotto não foi o primeiro, nem será o último, a não responder um pedido de entrevista. Faz parte do trabalho. Surpreende que um sujeito tão iconoclasta se leve tão a sério e seja capaz de entender um comentário no meu blog como parte de uma ação para “ferrá-lo”.

Atualizado às 11h de segunda-feira, 18 de janeiro: Para quem está chegando agora, recomendo a leitura, na caixa de comentários, das mensagens enviadas por Fernanda D´Umbra. A atriz, ex-mulher de Bortolotto, está ajudando o dramaturgo em sua recuperação e tem conversado com os jornalistas interessados em entrevistá-lo. Depois de enviar duas mensagens, Fernanda finalmente se deu conta da confusão que ela e o dramaturgo fizeram, como eu apontei neste texto.

Por Mauricio Stycer às 13h19

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 23 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha de S. Paulo" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor de “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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