16/01/2010

Ex-BBBs dão aula sobre o mundo da fama

Ao colocar dois ex-participantes na casa, a décima edição do BBB acrescentou um ingrediente perverso ao sonho de glória e fama envolvido no programa: a possibilidade de os atuais candidatos ao mundo das celebridades conhecerem, em tempo real, o que o futuro os reserva.

O texto que escrevi a respeito, Em tempo real, o cruel futuro de ser ex-BBB, foi publicado este sábado no site que o UOL dedica ao programa.

Por Mauricio Stycer às 12h56
15/01/2010

Caso Bortolotto: a dedicação da polícia e o medo de represálias

Reportagem de Fabio Victor, publicada nesta sexta-feira na “Folha”, traz duas informações surpreendentes sobre o assalto sofrido pelo dramaturgo Mario Bortolotto, durante o qual ele levou três tiros, no início de dezembro, em um bar da praça Roosevelt, no centro de São Paulo.

Uma equipe inteira do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) está mobilizada para cuidar do caso. São nove investigadores, cinco escrivães e um delegado. “A unidade, responsável por investigar crimes contra a vida em sete bairros da região central da cidade, teve de suspender os 130 inquéritos sob sua responsabilidade para elucidar com agilidade o caso de Bortolotto”, informa a reportagem  (A íntegra deste texto está disponível para assinantes da Folha de S.Paulo e do UOL).

Um suspeito foi detido pela polícia e considerado “muito parecido” por testemunhas do crime. Convocado à polícia, no entanto, Bortolotto se declarou incapaz de identificá-lo, argumentando que estava bêbado no momento do crime. “No entender de policiais, o real motivo de Bortolotto ao se dizer inapto seria o fato de ele ser conhecido no submundo da praça Roosevelt, além de saber que, nesse universo, a delação é tida como imperdoável”, afirma o jornal.

A reportagem da “Folha” levanta uma questão fundamental, a do peculiar privilégio deste caso sobre os demais, e aborda um tema muito sensível e delicado, que é a dupla violência que Bortolotto, como outras vítimas, pode estar sofrendo: a do assalto em si e, depois, a do medo de represálias se ajudar a levar o criminoso à prisão.

O dramaturgo não quis dar entrevista ao jornal para comentar o caso.

Depois de 23 dias internado (13 na UTI), Bortolotto tem evitado muitas manifestações públicas. Em seu próprio blog, referiu-se as razões que o levaram a reagir ao assalto, o que quase lhe custou a vida, e lamentou estar pouco sóbrio no momento do crime.

Se eu tivesse mais sóbrio, tentaria negociar com os bandidos. Daria todo o meu dinheiro e tudo certo. Eu sou do Jardim do Sol, de Londrina. Já fiz isso outras vezes. Não partiria pro enfrentamento franco, direto e suicida que foi o que fiz e que resultou nas tres balas que o cara disparou em mim. Mas jamais eu ia deitar no chão como eles pediram pra gente fazer. Porra nenhuma. De onde eu vim, não se negocia dessa maneira. Eles foram folgados e agressivos (agredindo fisicamente amigas nossas) com uma rapaziada tranquila que tava ali tomando sua cerveja de saidera fim de noite total. Eu não estou aqui pregando a reação nesse tipo de acontecimento. Talvez o melhor mesmo seja deitar no chão.

Em sua primeira entrevista à televisão, ao programa “Metrópolis”, da TV Cultura, o dramaturgo refletiu sobre o impacto que o assalto está tendo em sua vida e como poderá se refletir em sua obra, mas não comentou os fatos relacionados à noite do crime.

Por Mauricio Stycer às 16h13
14/01/2010

Essa incontrolável vontade de falar no Twitter...

 
 

Essa incontrolável vontade de falar no Twitter...

2009 foi o ano da “descoberta” do Twitter e, junto, do maior festival de gafes públicas já cometidas por celebridades. A ferramenta, como se viu, elimina os filtros e torna muito “real” a sensação de proximidade das pessoas famosas com seus fãs e seguidores. Como sentiram na pele Xuxa, Bruno Gagliasso e tantos outros, a chance de essa proximidade resultar em acidente é grande.

Pensava-se, porém, que as lições de 2009 tivessem sido aprendidas. O publicitário Nizan Guanaes, esta semana, mostrou que não. Numa frenética visita ao Twitter, na noite de segunda-feira, Nizan disparou críticas a Salvador e ataques ao grupo Chiclete com Banana. Na manhã de terça, prosseguiu falando sobre o mesmo assunto, o que me levou a publicar o texto Nizan Guanaes diz que Salvador virou "favelão" e ataca Bell, do Chiclete com Banana.

Ao se dar conta, finalmente, do impacto e da repercussão das suas declarações, Nizan voltou na quarta-feira ao teclado e se rendeu: "Sabe aquelas bobagens que você fala sem pensar? Eu fiz isso. Só que no twitter, que amplifica muito". Escrevi, então, no UOL: Nizan diz que falou “bobagens” e se explica no Twitter, no qual registro as tentativas do publicitário de encerrar a polêmica. No Twitter, no entanto, enquanto Nizan fala agora da conferência de Davos, na Suíça, os leitores não apenas continuam a comentar suas declarações picantes sobre Salvador como também sobre este seu esforço de silenciar a respeito. Aguardemos as próximas tuitadas.

Por Mauricio Stycer às 17h58

Os riscos da tevê ao vivo

Na noite de quarta-feira, “A Fazenda” exibiu, involuntariamente, uma cena constrangedora: um dos candidatos do reality, André Segatti, foi flagrado bocejando justo na hora em que o apresentador Britto Jr tentava transmitir emoção ao programa. Escrevi sobre este momento aqui, no site do UOL dedicado ao programa. O texto também pode ser lido aqui:

"Fazenda" evita confronto com BBB, mas candidatos bocejam

Sem graça ao ver a cena, o apresentador Britto Jr. disse: “faz parte do kit” da roça. Referia-se aos bocejos, de boca bem aberta, dos candidatos a faturar R$ 1 milhão. Primeiro foi André, que bocejou no exato instante em que a câmara focalizou o seu rosto. “Não adianta ter sono, não, porque daqui a pouco o bicho vai pegar”, tentou Britto. Depois, na ordem, a câmera não conseguiu evitar os bocejos de Cacau, Karina e Mateus.
 
Muito triste.
 
O relógio marcava 21h50 e faltavam 10 minutos para começar o BBB. O diretor de “A Fazenda” dava a impressão de estar deixando o tempo passar, disposto a um confronto com o reality da Globo, que deveria começar às 22h. Os candidatos, aguardando, bocejavam.
 
Igor, como não podia deixar de ser, destoou. Não foi visto de boca aberta, sonolento. Ao contrário, parecia ligadíssimo. Sem falar muito, apenas com seus gestos, olhares e caretas, sempre teatrais, deu a impressão que estava rindo do apresentador. Duas vezes.
 
Britto Jr, por sua vez, parecia inseguro quanto ao timing do programa. Se esticava a decisão sobre o paredão para depois das 22h ou se resolvia a situação antes de o BBB entrar no ar. “Temos tempo”, disse, enigmaticamente. “Uma contra-ordem”, falou depois, em voz alta, sem explicar o que queria dizer. A decisão, parece, foi evitar o confronto – os programas ficaram ao mesmo tempo no ar por menos de cinco minutos.
 
Britto, antes, insistiu numa curiosa ladainha, que vem desde o domingo. A frase é: “Leozinho nunca foi para a roça”. Nesta quarta-feira, ele repetiu essa frase quatro vezes, que eu tenha contado.
 
É preciso reconhecer – e tirar o chapéu – para um raro instante de humor de “A Fazenda”. Ao exibir, pela enésima vez, André agarrando a égua recém-nascida, uma legenda surgiu na tela, simulando os pensamentos do animal. Dizia: “Socorro”. Parabéns.

Por Mauricio Stycer às 17h29

A força de um novato: o jornalista deficiente visual

 
 

A força de um novato

Numa newsletter que envia semanalmente a jornalistas de todo o Brasil, Eduardo Ribeiro noticia o vaivém do mercado, anuncia novidades, contratações, demissões e trocas de emprego. Esta semana, entre as notícias do “Jornalistas & Cia”, Edu conta a história de Lucas de Abreu Maia, 24 anos, deficiente visual, que está começando a trabalhar como repórter da área Nacional de “O Estado de S.Paulo”.

“Onde poderia aprender, questionar, escrever e investigar ao mesmo tempo? Só no Jornalismo”, diz Lucas, ao “Jornalistas & Cia”. O repórter conta, há seis anos, com a ajuda de um cão-guia e utiliza, para trabalhar, um programa especial de computador que lê o texto escrito na tela para ele. Reproduzo abaixo o início da entrevista:

Jornalistas&Cia – Qual é a sua maior dificuldade para exercer o Jornalismo?
Lucas – Não consigo pensar em nenhuma, mas isso depende muito do apoio dos colegas que você tem. Sempre consegui muito incentivo em todos os lugares em que estive e isso não é diferente no Estadão. Faz toda a diferença você poder contar com a ajuda das pessoas.

Por Mauricio Stycer às 11h01
13/01/2010

Boninho explica erro “louco” na estreia do BBB

Duas horas depois da estreia do BBB, o diretor do programa, Boninho, correu ao Twitter para explicar o erro crasso que marcou a apresentação da décima edição do reality global. No lugar de entrar uma vinheta com imagens dos participantes, foi exibida uma vinheta antiga, com a cara dos confinados no BBB9.

“Foi um erro louco”, classificou Boninho. “Um maluco guardou no HD (a memória de um computador) a vinheta antiga. Como roda paralelo uma de backup (reserva), trocamos ao vivo”, explicou.

Boninho justificou o erro como um acidente natural numa produção exibida ao vivo. “Vou explicar... fazer ao vivo é a melhor e maior adrenalina que você pode curtir. Errar então, com todos aqueles botões, show!!!”, escreveu.

O diretor demonstrou “fair-play” ao comentar a crítica sobre a estreia do programa, publicada no UOL (Bial gagueja, produção erra feio, mas "zoológico humano" melhora): “Pedro gaguejou, produção errou, Boninho escorregou! Viva o BBB, TV ao vivo, sem plastificação!”, escreveu no Twitter.

Indagado por uma leitora sobre o problema com a vinheta, o diretor sugeriu, certamente fazendo piada, que cometeu o erro de propósito: “Adoro errar no ar e às vezes erro pra mostrar que é de verdade!”

Aos leitores de cidades do Norte e Nordeste, que lamentaram a exibição do BBB gravado, com diferença de uma hora em relação à apresentação ao vivo, por causa do horário de verão, o diretor explicou: “Sem sacanagem, é lei, mas acaba na próxima semana. também concordo,mas a politicagem fez assim. Dá um trabalho louco pra gente”.

Por Mauricio Stycer às 10h06
12/01/2010

O que há de “renovação” nos musicais brasileiros que copiam a Broadway?

Ainda não li “Os Reis dos Musicais”, de Tânia Carvalho (Imprensa Oficial, R$ 30), sobre o trabalho de Charles Möeller e Claudio Botelho, mas ouvir que a dupla “renovou” o gênero no Brasil dói o meu ouvido.

Acho lamentável que a indústria do entretenimento nacional venha investindo tantos recursos e esforços no desenvolvimento de um modelo que é pura macaqueação da Broadway. Copiados ou “inspirados” em musicais americanos, esses espetáculos “abrasileirados” – ao menos os que eu já assisti, como “My Fair Lady” – transbordam afetação e cafonice.

É verdade que a indústria dos musicais dá emprego a muita gente – além de atores, músicos, cantores e dançarinos, essas montagens garantem salários fixos a técnicos de todas as especialidades.

Por outro lado, ela conta com a elasticidade das leis de incentivo à cultura, que não fazem nenhuma restrição ao fato de grandes produtores captarem milhões, a título de renúncia fiscal, para a montagem de espetáculos, sem exigir grandes contrapartidas.

Não estou aqui fazendo uma defesa do tipo “nacionalista” do teatro brasileiro. Acho que tem espaço para todo mundo na indústria – mas cada um deve ser colocado no seu devido lugar. Sempre me surpreendo quando vejo o deslumbramento que esses musicais causam em certos setores dedicados, em tese, a refletir sobre a produção cultural brasileira.

Por Mauricio Stycer às 10h57

“Tempos Modernos”: o centro de São Paulo como o Leblon

O centro de São Paulo exibido na novela “Tempos Modernos”, de Bosco Brasil, será tão “real” quanto o Leblon visto nas tramas de Manoel Carlos. O próprio autor confirmou essa aposta, em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, nesta terça-feira, na “Folha”: “Vamos fazer uma São Paulo linda e limpa. É a minha São Paulo. Que está dentro de mim. Não ligo para detalhes da realidade”.

Na noite de segunda-feira, depois de assistir ao primeiro capítulo da novela, escrevi o texto abaixo, publicado originalmente aqui, no UOL Televisão :

"Tempos Modernos" mostra um centro de SP muito maquiado

Primeiro capítulo de novela costuma funcionar como cartão de visitas e carta de intenções. A julgar pelo que mostrou “Tempos Modernos” em sua estreia, a nova novela das 7 dispõe de um personagem espetacular em seu elenco –o degradado centro de São Paulo–, mas as primeiras cenas deixaram no ar a dúvida se Bosco Brasil, o autor, está disposto, de fato, a explorar toda a complexidade desta região da cidade.
 
A ação da novela gira em torno do empreendedor imobiliário Leal, vivido pelo sempre carismático Antonio Fagundes, e dos personagens que transitam pelo “edifício inteligente” Titã, construído no centro. O conflito que se desenhou desde as primeiras cenas diz respeito ao plano de construir uma segunda torre, o Titã 2, no lugar onde funciona um centro comercial, repleto de lojas especializadas em artigos musicais.
 
Claramente, Bosco Brasil rende aqui uma homenagem à chamada Galeria do Rock –um edifício verdadeiro, que concentra um grande número de lojas de discos e CDs, e que pode ser visto, ao olhos dos especuladores imobiliários, como símbolo do “atraso”. Em protesto contra os planos de Leal, lojistas com figurino de “hippie velho”, liderados pelo “tiozinho” Leonardo Medeiros, organizam uma manifestação, que conta com o apoio de uma das filhas do empreendedor.
 
Pelo pouco que foi possível ver, o centro de São Paulo surgiu em “Tempos Modernos” retocado pelos efeitos da computação gráfica. Não percebi, nas cenas externas, a presença de nenhum mendigo, camelô ou “noia”, como são chamados os usuários de crack que vagam pela região feitos zumbis.
 
“Tempos Modernos” é uma comédia (ao que tudo indica de qualidade) e não tem compromisso com a realidade, mas será lamentável se utilizar o centro de São Paulo como cenário apenas com o objetivo de vender uma ideia que até agora está mais para sonho do que realidade: o projeto de revitalização da região. Se maquiar os problemas do centro, a novela perderá uma ótima oportunidade de, mesmo fazendo rir, discutir um assunto que, no fundo, diz respeito a todo mundo que mora em grandes cidades.

Por Mauricio Stycer às 10h16
10/01/2010

Com atraso, e alguma ingenuidade, duas ou três palavras sobre “Avatar”

Até sexta-feira, eu fazia parte do time que não viu e não gostou de “Avatar”. Ao tomar conhecimento que o filme se tornou a segunda maior bilheteria da história, atrás apenas do bobinho “Titanic”, do mesmo James Cameron, achei que deveria mudar de time para poder dizer que vi e não gostei de “Avatar”.

Meus planos fracassaram. Adorei “Avatar”. Quarenta e oito horas depois, ainda sob impacto, e correndo o risco de chover no molhado, arrisco algumas linhas sobre este filme impressionante.

Enquanto experiência física, “Avatar” em 3D é o que mais próximo já senti de estar num parque de diversões enquanto assistia a um filme. O seu show de efeitos proporciona o melhor custo-benefício que já vi em termos de diversão – 166 minutos de puro deleite em troca de R$ 14 (meia entrada).

Evidentemente, esse é o motivo principal dos extraordinários resultados (ou “re$ultado$”) que o filme está apresentando: pelo quarto fim-de-semana seguido “Avatar” lidera as bilheterias no concorrido mercado americano, já arrecadou mais de US$ 1,1 bilhão em todo mundo e continua com fôlego para bater recordes.

Não bastasse, “Avatar” conta uma história ótima, complexa, opondo natureza e civilização, ciência e força bruta, em torno da ideia elementar de que o homem, ao destruir a natureza, é o motor da sua própria destruição. Haverá quem veja excesso de clichês, simplificações, exageros e facilidades no argumento, no desenvolvimento do roteiro e em diversas situações do filme. Não me incomodaram.

Fascinado pelo apelo visual, reconheço, apreciei “Avatar” também pelo seu esforço de tentar discutir, não sem ingenuidade, essa questão essencial nos dias de hoje. Talvez me iluda ao acreditar que um filme com esse alcance pode ajudar, por mínimo que seja, a estimular uma reflexão sobre meio ambiente, consumo e vida em sociedade.

Por Mauricio Stycer às 11h55

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 23 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha de S. Paulo" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor de “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

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Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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